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Em Pará de Minas, famílias inteiras já produzem e vendem o ChocoDown. Uma única receita devolve R$ 150 líquidos para quem produziu. Agora o método está disponível para o Brasil.
Gustavo Castro, criador do ChocoDown, e Rodrigo, que hoje vende o próprio chocolate.
Ele estudou, conviveu, aprendeu. E então a agenda foi esvaziando. Sobrou a casa, a televisão e a pergunta que ninguém gosta de fazer em voz alta: e quando eu não estiver mais aqui?
Sem atividade, sem função, sem nada que dependa dele. O tempo passa e a autonomia não chega sozinha.
Tudo que entra vem de você ou de um benefício. Ele nunca teve dinheiro que ganhou com o próprio trabalho.
Como se a vida adulta dele fosse só continuar igual. Não é. Só falta alguém mostrar o caminho.
Quem diz isso com todas as letras é o criador do método: a pessoa com deficiência muitas vezes nasce e aposenta, sem nunca ter tido a chance de produzir algo que seja dela.
O Rodrigo entrou no projeto aos quinze anos. Aprendeu a produzir, aprendeu a vender e, em algum momento, fez a pergunta que muda tudo: por que não criar o meu próprio nome?
Nasceu o ChocoDrigo. Hoje ele diz, com essas palavras, que é empresário. Está na diretoria da associação, virou instrutor de capoeira e já fez trabalho como modelo.
Começou com uma receita de chocolate.
Cada família que produz recebe o cartão com a foto de quem fez. Não é embalagem genérica: é o rosto dele, o nome dele e o contato dele.
Parece detalhe. Não é. É o momento em que a pessoa entende que aquilo ali é obra dela, e é isso que faz a autoestima virar antes mesmo do dinheiro.
A maioria dos cursos para nesse ponto. Este continua, porque chocolate parado na geladeira não vira renda nenhuma.
O passo a passo da receita e as boas práticas de fabricação, com a consultora de alimentos Francielle de Carlos. Feito para cozinha de casa.
Estratégias de comercialização com a consultora de vendas Amanda Lemos. Onde oferecer, quanto cobrar e como abordar.
Como transformar o produto em algo com o nome e a cara dele, como o Rodrigo fez com o ChocoDrigo.
Gustavo Castro é engenheiro de alimentos e criou o ChocoDown. Fundou o Grupo Semeando o Bem em 2018, deu oficinas por seis meses na APAE de Pará de Minas e desenvolveu o produto com tabela nutricional e validade, para poder ser vendido de verdade.
O nome do chocolate é uma homenagem à prima dele, a Laís.
Vende com a foto do filho na embalagem e chegou ao ponto de ter fila de espera. Quando acaba a receita, anota a encomenda para a semana seguinte.
Achava que a venda seria por pena. Fez uma receita apenas para testar e vendeu tudo. Hoje o filho é um dos que mais vendem.
O Thales criou o ChocoThales e vende em um clube da cidade. O Arthur criou o ChocoTEA junto com a mãe. O método não é só para síndrome de Down.
Uma receita e pouco já paga o curso inteiro. O resto é renda.
O método foi criado justamente para pessoas com deficiência intelectual e síndrome de Down, e já foi aplicado em oficinas na APAE de Pará de Minas. A receita é simples e cada etapa é mostrada devagar. Quem não conseguir produzir sozinho participa de outra forma, nem que seja colocando o cartão em cada embalagem, e isso já muda a relação dele com o produto.
Não. A produção acontece em cozinha de casa. As aulas de boas práticas de fabricação mostram como manter a higiene e a qualidade sem estrutura industrial.
É a pergunta mais honesta que existe, e o pai de um dos participantes fez exatamente essa. Ele achava que comprariam por pena. Fez uma receita para testar e vendeu tudo. O curso tem aulas específicas de onde oferecer e como abordar, porque vender é a parte que a maioria dos cursos não ensina.
Sim. Entre os participantes há pessoas com deficiência intelectual, com autismo e com sequelas de acidente. O Arthur, por exemplo, criou o ChocoTEA.
A primeira receita pode sair no mesmo fim de semana em que vocês assistirem às aulas de produção. O tempo depois disso depende de vocês, mas o material de venda já está pronto e explicado.
Assim que o pagamento é aprovado, o acesso à área de alunos é liberado automaticamente, por e-mail. Não há espera nem envio manual.
Foi assim com o Rodrigo, com o Thales, com o Arthur e com o filho do Ronaldo. Nenhum deles sabia fazer chocolate antes de alguém ensinar.
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